A carta de amor

 

A carta de amor


“Em um dia onde o céu encontra o chão, a terra molhada suja meus pés nesse dia frio. Eu me encontro em frente a um casarão, que herdei de minha tia-avó, a casa é enorme, tem uma arquitetura neoclássica, com inúmeras janelas, que evoca a grandiosidade da arquitetura grega, porém se adapta ao clima tropical do Brasil. Entro no casarão e me acomodo, deixo minhas roupas no armário, decidi manter os móveis da casa, mas ainda trouxe algumas das minhas coisas, como tecnologias e um colchão. Passo alguns dias vivendo na casa, a limpo toda, organizo a parte externa, lá há um chafariz de anjo muito belo, depois de tudo feito, descanso, sento-me no sofá e vejo televisão, porém sinto algo esquisito, uma coisa que por algum motivo já estava sentindo, no entanto apenas agora percebi, é uma sensação que há alguem a me observar, alguém seguindo com os olhos todos os meus movimentos, uma pessoa a espreita, passam-se algumas semanas, eu continuo com essa sensação esquisita, entretanto agora, eu vejo alguns vultos e parece que sempre tem algo atrás das portas ou colunas.

Alguns meses passaram-se, eu estou diante aquilo que vem me assombrando, mas estou surpreso, é uma bela mulher, de pele escura como o entardecer, cabelos voluptuosos e de grande forma e seus olhos são os olhos mais vivos que já presenciei, ela está com uma expressão confiante, dá um passo a frente e diz:

— Oi, eu sou Alvida, vejo te observando a dias, isso pode parecer estranho, mas eu estou apaixonada por você! Diz ela andando em minha direção. Tento colocar minhas mãos em direção a ela, porém ela é perfurada por meus braços e chega seu rosto bem perto do meu, eu grito em desespero e desmaio. Quando a luz começa a tomar espaço em meus olhos, eu a vejo, bem perto do meu rosto, com uma expressão zelosa, e um sorriso grande, eu ainda confuso pergunto sem entender a situação:

— Quem é você? Por que está em minha casa? Ela abre um sorriso e responde.

— Sou Alvida, morri aqui a muitos anos atrás. Você está bem, Igor? Assusto-me novamente.

— Como sabe meu nome?

— Venho o observando todos esses meses, sei muito sobre você, por isso decidi aparecer.

Então é por isso que vejo sentido que estou sendo observado, estou mesmo sendo! Penso comigo mesmo e digo a ela.

— Por que? Por qual motivo você está todo esse tempo me observando?

— No começo eu apenas não tinha nada melhor para fazer, estar presa aqui por tanto tempo é entediante, porém eu fui começando a me afeiçoar por ti, e me apaixonei.

— Se apaixonou? Isso não é um sentimento muito complexo para se adquirir só observando assim? Ela ri e me responde.

— Sim, é um pouco difícil apaixonar-se apenas olhando alguém, porém eu vi o quão cuidadoso e carinhoso você é.

Passamos o dia conversando, depois da confusão e medo passarem, me acostumei com a presença dela e até passei a gostar. 

Então, essa é a minha história, deixo aqui escrita nessa carta, para que o futuro inquilino dessa residência a ache e espalhe minha história de amor.”

— Essa é a carta que estava escondida no baú do quarto. Diz um policial de pé em frente a um corpo sem vida.


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