Rascunho do livro - Eu Poetico

 

Prefácio


Esse livro é uma coletânea dos meus poemas que em algum momento eu já os julguei “bons", não tem revisão nem preocupação com gramática. Leia por conta e risco.


















Eu Poetico 


Não escrevo poesia

mas sim uma sujeira podre

que do meu interior sai

as vezes bela e amorosa

outras vezes suja e mal polida

não espere nada muito impressionante 

digo a mim mesmo que sou poeta

só pra inflar o pensamento que algo tenho 

Não sou poeta, escritor

um covarde tolo

mostrando sua intimidade pra estranhos

esse é o Eu


Lucas Wilson















Identidade e nação


Estados bonitos


Não há lugar mais belo

que meu país 

com suas praias, morenas e palmeiras

Terra dos meus amores

onde larguei minhas dores

Meu rio teve canções 

Que cantam pela noite

os boêmios e os atores

Não há lindeza maior que meu brasil

Com seu clima, florestas e amores

Território de poetas, loucos e pensadores

Minas de ouro

Geral beleza

Montanhas grandes

De divina clareza

São Paulo abençoa 

Minha morena

minha pequena

Bahia de todos os santos 

de todos os cantos

Norte do rio que corre

Da vida e da morte

Americanas belezas

Latina tristeza


Ilha Grande


Tuas incansáveis montanhas

Teu oceano acolhedor

Andei por ti, como quem explora entranhas

Dei a você parte de mim

E tomei de ti coisas de você 

A memória da beleza 

Quando suas ondas me atingiram

Meu coração sangrou 

Mas apaixonei-me 

Agora á deixo com tristeza, saudade e nostalgia

pois nunca verei nada de tamanha beleza 

Tenho a eterna lembrança 

E a esperança de um dia voltar 

E te tocar e adentrar novamente



Meu Brasil


Minha terra tem palmeiras

onde canta o sabiá 

Onde o malandro

usa terno e gravata

Onde a terra é seca

e o povo faminto

Amando o dinheiro

e nunca o apego

Meu Brasil mestiço 

onde o negro

não é visto

o nativo esquecido

O amor

Não se vê

Poder que consome

no país dos silvas

e de vários nomes

Maria, Milton e Chico

Antônio, Joaquim e Ary

Brasil o que te fez assim?


Povo


Nação não há nada de bom

Digo e repito como sou

Ufanista, mas não pela pátria 

Sim pelo povo e pela cultura do meu povo

Não sou patriota, luto pelas minhas pessoas 

Pela nossa natureza

E suas mais lindas belezas

Contraditório, talvez 

Na verdade não sei

Meu país não é belo, mas seu povo é 

Sua música, sua arquitetura 

Da mais refinada a mais simples

Ternura

Luto pelo meu povo


Não sou brasileiro


Não sou brasileiro

poeta, artista ou sambista

mas sou do rio de janeiro

Quando fui a bahia

no carnaval de fevereiro

amai a passista

me atacou por inteiro

Sou malandro

me pego na vida

ouvindo a batida

Sou daqui

mas nasci lá 

já vi de tudo

que podia olhar, ouvir ou cantar

Não sou brasileiro 

mas artista

e companheiro

Meu coração 

segue o tamborim

Vou levando assim

recitando meu poema como uma oração


Minha ode ao Brasil


País dos desolados, malditos, mal tratados

De beleza exuberante, inebriante 

Admiro lhe no presente, futuro e passado

Espero triste beleza, a inexperiente princesa

Leva-me ao seu âmago 

Quero seu sangue em meu estômago 

Sua floresta em minha alma

Seus rios com meu sangue

Mesmo no seio da america leva a beleza

de toda terra



Versos e sons da nossa terra


Grande povo brasileiro 

somos os primeiros

a tocar samba no pandeiro

O coração toca 

junto ao tamborim

Correndo a pele estica 

como a cuíca

O mudo quando bate

o surdo treme

O povo desnudo

na alegria do samba 

já viveu de tudo

Na batida do cavaco

eleva o status do espaço 

Na escola, na rua e na poesia

O samba é brasileiro

e tem sua própria magia


Entre pandeiros e poetas


O povo na alegria do samba 

se encontrou,

Na melancolia da poesia

se achou,

Peço ao povo brasileiro 

toque esse pandeiro,

até dentro do terreiro,

que sou eu quem vai sambar primeiro

No bolero triste do Gonçalves 

Tomo minha bebida e canto,

Nos versos de Moraes

Reflito o amor aos prantos,

Conto os dias para ler Dias

E ansioso escrevo mais


Identidade


Me entendo como sou

Neto de "lusita"

Descendente de mulato,

índio e negro

Não sou nada disso

Brasileiro é como melhor me descrevo

Nascido e crescido na américa

Berço latino

Fluminense, brasileiro e latino americano

Sou o que sou

Entenda-me como prefere,

mas não exclua meus ancestrais e raízes múltiplas


Me criei assim


Deus me fez menino,

Brasileiro e bonito,

Faço de tudo pro mundo me ouvir,

Escrevo tanto que posso sentir,

O sentimento que o meu povo emana,

Proclamo a minha luta pela poesia.

Sempre acreditei no poder das palavras,

Farei revoluções, inspirarei multidões,

Com minha canção sentida.

Deus me fez assim,

Metido a poeta,

Me modifico,

Brinco de ser Deus,

Com palavras, criando histórias sobre os meus.

Brasileiro nato,

Não gosto de trabalhar,

Preguiça não me larga,

Só levanto pra sambar,

Escrevo o que gosto,

Só assim a poesia tem valor.


Manuel Manuel

Queria ser poeta como tu
De enorme grandeza
Com versos de tamanha beleza

Quando tento passar o verso para letra
Teu nome vem a mente
Dando bandeira para um poema impertinente

Não vou-me embora pra lugar algum
Passo o dia à toa, mas à pensar
Vejo as andorinhas passar
Olho pro rio e vejo os sapos a proclamar
Seus poemas de invejar


Saudade da ilha

Aí que saudade eu tenho da ilha
Suas belas praias
As montanhas que te rodeiam
Me fizeram teu
A fruta que o papagaio come
E que cai ao chão
Sua natureza que encanta
Se Tom a visse
Não haveria garota de Ipanema
Se Caymmi à visitasse
Não escreveria com melancolia
A vida dos pescadores
A antiga prisão
Que agora é lar de São Sebastião
E que me libertou
Oxóssi é teu protetor
A fartura de praias
São riquezas que nenhum outro lugar detém


Música 


Cancioneiro vermelho


Canto sempre o primeiro

Vivo à margem da morte

Procurando a vida

Sem nenhuma sorte

Não entendo música 

Bela, esperta e sonora

Não toco viola

Não sou violeiro 

Viajo o mundo inteiro

Cantando esse cancioneiro

Sou do norte inverso

Sou de madeira vermelha

Sou o pau-brasil, Brasil

Vermelho a cor do sangue

E nesses alto falantes mostro por que vim



Súplica a São João


Vou pedir a são João

Não leve a morena embora não

Abra o meu caminho

Até o seu coração

Morena meu amor

Não sei por qual razão

Estou orando por paixão

Ah meu São João

Me cure dessa doença

Se não morro no apagão

Sem perdão 

Essa morena bonita

Faz mal ao meu Coração

(São João!)

Me cure dessa doença

Se não eu morro de paixão


Que eu vire, Ney


Bixo, indefinido

Vira homem lobisomem 

Lindo

Vem vindo 

Ao balanço 

O artista dos artistas

Oeste mais brilhante 

Mato virgem

Capim grosso

Noite de sol

Tudo é Ney Matogrosso


Sambinha de roda


a roda, não tem mais samba

O dia, não tem mais sol

A noite vai cair

Mas o malandro não vai mais sair

Hoje não há mais súplica 

Não há mais bailes

Não há poesia

Ontem tinha de tudo

A vida coloria

E o samba aplaudia

Amanhã haverá música 

Pois só assim o samba 

Vai voltar pra rua

Quando o malandro pegar a faca

Quando a moça tirar a sandália 

E o poeta voltar pra roda

O mundo vai brilhar de volta

A vida terá muito mais cor

A música voltará a ter sabor

Aquilo que uma me disseram

Sem samba

Só resta o tédio

Quando o malandro pegar a faca

Quando a moça tirar a sandália 

E o poeta voltar pra roda

O mundo vai brilhar de volta

A vida terá muito mais cor

A música voltará a ter sabor

Aquilo que uma me disseram

Sem samba

Só resta o tédio



Lupicínio Rodrigues


Seus versos tristes estão na mente 

de um compositor

Sua poesia encontrou

todo o amor que pela vida passou

e tão triste acabou

Mas quero lhe dizer, 

que sua canção nunca hei de deixar morrer

Sua vida sofrida pelo amor

hoje sua alegria como compositor

Me faz escrever

Deixo aqui em minha prosa

Tudo que já me inspirou

Sua música, me motivou

e seus amores, canções e dores 

Nunca serão esquecidas por mim

De Lucas para o mestre Lupicínio Rodrigues



Milton Nascimento


Lhe admiro tanto

Sempre que vou a minas,

lembro-me de ti

e com alegria canto.

E assim não quero partir.

No nascimento do rio.

Corre a esperança,

dessa prosa simples,

chegar a você 

O tempo passa, 

mas sua bela voz 

nunca deixará de ser ouvida, sentida e chorada.

Nunca haverá alguém como o senhor

Se houver, sorte dos que virão, 

pois conhecer a ti

me leva a crer no divino.

Divino estar, existir.

Parece que não há palavras para medir,

o quanto me inspiro,

em você, Milton Nascimento

Minas Gerais, estado dá voz de Deus

Tijucano do sal.

Travessia, américa e nesses bailes canto e proclamo a ti.

Essa prosa improvisada e sentida.

De Lucas Wilson ao mestre Milton Nascimento.



Ernesto Nazareth


Em frente ao cinema,

lembro-me de você.

Seu choro sentido que sempre me faz sofrer,

querer ou até amar

Apanhei-te cavaquinho,

em frente ao Odeon.

Falei com Jesus, 

o quanto aquele tempo era bom.

Brejeiro era, simpatizava com o piano,

compunha como ninguém,

choros sentidos maiores não tem.

Nazareth carioca,

Seu maxixe mexe com a gente.

Sua memória por mim nessa prosa simples lembrada.

Com amor de um fã,

Dedico a ti um poema de sentimento e um choro de emoção.

De Lucas Wilson ao mestre Ernesto Nazareth



Acordeonista popular


Passo bem cedo pelas ruas de São João,

vejo um homem tocar, no tom,

um belo acordeon,

rimando a vida que teve no sertão —

triste, mas bem vivida —

no ritmo alegre,

e, nesse diapasão, se segue.

Diz não ter um tostão,

que a vida não é um bombom.

O povo parou pra escutar

e admirar o quanto o moço

era bom no acordeon.

Teve de trabalhar cedo,

afirma nunca ter sentido medo.

Canta, de dentes à mostra,

o quão feliz foi no passado.

E, nessa história,

não é o único

que canta as alegrias e os males do viver.

Diz que é sobre isso

ser popular:

cantar o que nos faz amar.



Malandro trabalhador


Malandro não falha,

Quando pega a navalha,

Espera o povo juntar,

Toma a sua cachaça,

Abraça a namorada,

Que já já vai mudar,

Quando o novo chegou,

Logo o malandro cegou,

E o Getúlio mandou,

O malandro trabalhar,

Sambista virou emprego,

Poeta não tem mais sossego,

Até o malandro voltar,

A navalha vai esperar,

A lapa não vai mudar,

E mesmo sem ele o samba vai continuar.



Violão


Deus me fez brasileiro

E eu sou feliz

Faço parte da história do meu país 

Tenho um corpo bonito

Canto também

Faço parte do grito

de um povo tão sofrido

Me chamam de violão 

Passo as luas

Tocando samba canção

Faço rock também

Mas no choro ninguém 

Pode me tirar não

Uns tocam sozinhos

Outros pra multidões 

Minhas cordas macias

Fazem lindas canções

Muitos de mim

Fizeram menções 

Nelson, Baden e até outros grandões 

Termino essa prosa de coração 

Toque em mim

Pro mundo ficar bom



Amor


Para Ágata


Não há amor maior,

do que aquele cultivado com carinho.

Esperto, espero,

nunca me encontrar sozinho.

Quero-te pra sempre minha rosa,

Não como memória,

juntos faremos história.

Conturbadas situações fazem parte,

a vida me levar a crer no pior,

mas você me faz entender o sentimento,

Que amar não é só pensamento.

Poesia não é só escrita,

Passiva de qualquer entendimento,

Amor ou ação.

Amo-te com toda minha vida



Olhos de jabuticaba


Começo me desculpando,

por esta prosa tardia.

Nosso amor não morreu,

adoraria dizer que ressignificou-se.

Te amo tanto que não há palavras pra colocar nesse melancólico poema.

Seu sorriso me deixa alucinado, 

querendo te amar ainda mais.

Seus olhos grandes me fazem lembrar jabuticabas.

Seu belo cabelo me leva a crer em Deus,

e de Deus pedir a bênção,

para que o nosso amor, mesmo que não agora,

volte a florescer.


Hoje meu amor


Hoje acordei ao lado do meu amor

Meu amor hoje, como sempre, me encantou


Ontem chorei de amor, mas meu amor me acalmou

Amanhã morrerei de amor por ela

Aquela que meu coração  agarrou


Seu lindo cabelo me alicia

a toca-lo e cheira-lo

Seus lábios, quando os beijo, me derrete por inteiro 

Sua pele cor de árvore, me nutre a ser melhor


Amo-te, deixo aqui nesses versos as palavras calorosas que entrego a ti.


Tempestade

A tempestade vem chegando
O sol se esconde
e sua inocente beleza
impede a minha tristeza
As gotas caem na terra seca
O trovão faz seu nome
A roseira com espinho
diz e some
Enquanto minha felicidade vai surgindo


Meu coração em pedaços 

Meu coração partido
me escreve com caneta
o que não sei que estou sentindo
a ferida aberta
na alma que não sara nem com reza braba
sucumbindo em passos largos
levo a vida no balanço
escrevo versos longos que me trazem cansaço
o meu desespero é como um copo quebrado
ignorando a espada
escrever me leva ao mais alto nirvana
Buda se fosse poeta
seria o maior
Jesus se escrevesse em pedra
o amor seria melhor
me comparo aos mestres
nunca serei como eles
escrevo uma prosa rasa
sem razão
sem emoção
sentida no raciocínio fraco de um garoto covarde
sem vontade de admiti
que erra e não sabe nada

A vida é linda
A sociedade fede
esse é um grito do meu âmago para que a poesia seja o que vai sobrar como memória póstuma do meu cadáver frio e vazio


Ágata, Dona do ouro


Tudo beleza é 

de maior grandeza

Teu corpo tem o mel

que tira o véu 

Da mentira e bota na realidade

Teu cabelo me aquece 

Quando meu ser padece

Quando de mim só restar pó 

A memória intacta do seus olhos

Permanecerá minha

Intocada, imaculada

Água doce de Oxum

Dona do ouro

Ouro que só é encontrado em ti

Cura a minha loucura

Com seu axó

Assim como Omolu

Tem meu corpo inteiro

E de primeiro 

O meu coração e meu amor

Que nunca será passageiro


Morena Y


Morena, suas tranças 

Me enlouquecem

Sua boca

Me parece

O brilho do luar

Sua voz

Me anuncia

O verão que vai chegar 

Seu corpo

De biquíni 

É tão lindo de olhar

Sua pele

Negra como a noite

Beleza solar

Morena, é a mulher

Mais bonita que há 

Por você, vou me apaixonar



Bilhete de resposta


Se tu me amas, ama-me alto

diga ao mundo como e porque

Não me deixe em paz

faça com que até os passarinhos

percam a paciência

Não pare de me dizer

Seja rápido, e com intensidade

que a vida é boa

mas com você vai se melhor ainda

Resposta ao poema “Bilhete — Mário Quintana”



Palmeiras Maria


Beleza do amor

Verde como a palmeira

Não vou ser ator

Não direi asneiras

Por pavor

Minto pra mim

Dizendo não, não!!

Nunca me apaixonei assim

Palavras de dor

Pedem perdão 

Não é só o amor

e em prantos exploro

a vida de minha musa

Musa essa, tão bela quanto a palmeira

que nela minha poesia se inspira

Versos humildes 

do eterno amor



Rosa


Rosa, meu amor

peço por favor

me leve para o céu

serei fiel

ao amor

o quanto mais espero

mais quero o teu remédio

serei seu médico

curarei o teu tédio

construirei teu império

me fure com seus espinhos

me de o teu vermelho

te darei meu sangue

e minha dor



Me/Ma/Mo


Me prometeu amor

Mas é só ilusão

Me prometeu carinho

Mas é só solidão

Me diz que vai voltar

Mas nunca para de andar

Magia do seu olhar

Me prende no lugar

Momentos belos contigo

Me parecem sofridos

Memórias, verdades e mentiras

Mesclavam a triste partida



O pecado de amar


Me jogaram fora

Não me querem de volta

Não me deixam nem mais olhar

A igrejinha que com dor

Terei que abandonar

Se o senhor é justo

Por que vou ter de pagar

O pecado que é amar

A dama que um dia fez meu coração palpitar

Nunca lhe trai nem o abandonei

Tudo que me ensinou 

Usei e não deixarei ninguém tomar

E o perdão que espero do senhor

E o mesmo que vou te dar

Mas por que

O padre não pode amar



História de amor


O amor chegou enfim

A beleza da própria natureza

Nunca me apaixonei assim

Sempre sonhei com você 

e te quero só pra mim

Nunca consegui entender

O que me fez ama-la

lhe tocarei bim bom

O que lhe fiz amor

Para um dia ir embora

E o amor chegar ao fim



Dor de Mãe


Por que logo eu

Amei tanto, fui tão feliz

Mas ele foi ao céu 

Não sei o que fiz

Como mãe, como mulher

Dei tudo que podia

Tudo que queria

E Deus, me deu tristeza

Fiquei fria

Deixei de amar

Fui procurar

No fim do corredor

Levou minha dor

Meu lindo filho de azul

Me disse que o paraíso 

Lhe fez anjo 

E eu lhe fiz feliz



Amor diferente


Amizade é a mais verdadeira forma de amar

Amo todos que me rodeiam

Amigos que me entendem até mais que eu mesmo

Não há palavras para descrever esse amor

Sentimento, companheirismo e também muita dor

compartilho minha vida, minhas angústias e meus prazeres

Com meus companheiros da vida

do futebol, os que me acompanham desde a infância, velhos amores e até os que eu nunca vi.

A todos os meus queridos amigos 

Dedico essa prosa, esses versos e esses amores



Romana


Menina, o verde dos teus olhos

É tão lindo de olhar

Mulher, sigo seus passos

Quero te amar

Florestas de luz

Beleza azuis

Sou todo seu

Me tira do breu

Menina, teu belo sorriso

belo cantar

Romana, mulher

Maçãs do teu rosto

Pomar de amor

Não quero te ver chorar

Você, menina, mulher, rosa



Futuro amor


Não sei o que faço 

de sua beleza 

sou escravo

De sua alma

presságio

Vejo um futuro brilhante

que parece não chegar

não sei o que sente

mas tenho certeza, que não vou parar de te amar



Prazer


Passo sem entender

Transpassando a realidade

Entendendo o fim

Enganando o meio

Ignorando a verdade

Não falo em passado

O fim da vaidade

Será a evolução da sociedade

Sem compra, venda

Ou miséria 

Sociedade do prazer

Epicurista vai ser

Sem dor

Só amor vai aparecer




Proclamação de amor


E todas canções 

todos poemas de amor

Escritos pra ti

Musa minha

Tristeza por não ser de ti

Seu eu quero ser

Amor, amigo e confidente

Mas com a distância 

Não dá pra plantar a semente

Mas ainda sim 

Eu escrevo poemas, sambas a fins

De proclamar meu amor

Demostrar minha dor

A todos da avenida

Sem fim


Odisseia de amor


Meu Deus, quando o amor vai chegar

Quando você vai botar a mulher

A mulher que vai me acompanhar

Meu Deus, quem vai lhe subsistir em minhas preces 

A deusa, mulher, beleza morena brasileira 

Com sabedoria de mestres

Passou pela minha cabeça o amor

Que vai me mudar

Escreverei cartas, poemas, romances

Sobre nossa odisseia

Vendo juntos a vida passar

Até o dia que juntos a morte nos separar



Me tens


Amei a todas?

Sim, amei

Dei meu coração, alma 

e tudo que me era direito

Deixei entrar no lugar mais fundo do meu peito

Usaram meu corpo e espírito 

do jeito que quiseram

Elevaram-me ao mais alto patamar de Deus 

Outras apenas me quiseram como mortal

Mas a única que quero e venero

Não me vê como tal

Todas as outras passaram 

Foram embora 

Levando uma parte do meu ser

Mas você

Você me tem por completo

Penso em ti de janeiro a janeiro

Segunda a segunda

O ano inteiro

Tem minha alma, poesia e coração 

Mesmo com tudo isso me nega 

Dizendo não



Eles e elas


Homens são belos 

Mulheres são lindas

Confundo-me ainda

Já me vi com todos

Não sei a quem me apegar

Para qual lado olhar

Onde o amor vou achar

Sinto-me entre dois pólos

No mar a navegar

Até o amor encontrar

Pareço bobo

ao questionar

Quem devo gostar

Com quem mais vai durar

Ainda não sei quem amar



Homens não choram


Homens não choram

mas poetas sim

Sofro e choro por amor

Relembro erros, acertos e desejos

E choro

Aos prantos lembro-me 

da incerteza que me segura

sinto um jumento

Não cogito olhar pros lados

Antes tinha medo 

De derramar o sal

Mas agora parece que tenho o corpo todo d'água

Sinto de tudo 

Amor, amizade e tristeza 

Mas agora triste me encontro

Buscando migalhas de amor

Carinho que um dia foi meu

E agora se perdeu



Amadurecimento 


Queria escrever poesias bonitas

Sobre a praia, o violão e a morena

Mas não consigo

Cada verso livre se faz revolução

Bossa nova não é mais meu negócio não 

Poesias espertas e canções de amor

Já se fizeram presente

No passado aparente de um jovem poeta tolo

Que via o mundo sujo

Com óculos escuros

Não sabia que a sua poesia

Nasci pra mudar o mundo 

Ou se quer imaginava 

Que mesmo tendo a mulher amada

Escreveria o amor maduro

Não o fogo do sentimento

A beleza do poema sujo

Só não é maior que a saudade da prosa sentimental, romântica 

Que um dia com minha caneta jovem

Feri o papel com tanto sentimento



Aprendendo a amar


Não somos certos

Vejo de perto 

O amor que deixou-me cego 

A morena que me fez entender

Que o amor é dois, três ou quatro

Que a vida é esperta

Hoje entendo que ela está  certa

Não há motivos pra amar

Só o prazer de tentar

O desprazer de falhar

E a beleza do samba

Que nos faz dançar

Nesses versos carrego comigo e o levo

Pro centro do universo

Onde ela se encontra

No espaço aberto



Amor da noite


Teu corpo me levou ao céu 

Foi da vida que virei réu 

Do amor sou culpado

Sigo essa estrada, esse estado

Corpos entrelaçados 

Noites longas sem fim

Divino encontro

Profano amor assim

Essa noite acabou

com o sono e o amanhã 

quando o sol chegou

o amor de novo florou



Divino amor


Inexperiente sou

Como poeta, como pessoa

como amante

Mas não deixarei de escrever, evoluir e amar

Nessa prosa sentida

Me julgo bom

No purgatório vão me levar

A entender o que é estar

Sou tudo e nada

Areia e mar

Lua e sol

Flor e inverno

No inferno sou Dante 

Beatriz me levou

Iluminou a vida com seu olhar

De tudo me fez sonhar

Com o paraíso que é amar



Resposta ao *Soneto de felicidade*- Vinícius de Moraes

Resposta a um amor só


De tudo, ao amor serei atento 

Tento, antes de pensar

Encaro a face do maior encanto

E dele seja presente em meu pensamento

Mas não quero vivê-lo assim

O amor preso, não é pra mim

Preso em amor não espalhárei meu canto

Penso em vários amores

Que antes seria bom

Mas agora preso na morena

Não há nada pra fazer

Apenas amar uma só



Medo de perder


Sinto medo de perder algo que não quero mais 

Angustiado sem saber onde ir, sigo em frente como um covarde

A triste partida, morte de uma relação me assusta

Tão profundamente que dói na alma

Não levo a sério o que me disse

Mas não descartei nada do que me ensinou



Não gosto do Tinder


No mundo moderno,

se perdeu o amar.

Não é como se as pessoas não amassem mais,

mas sim que não procuram um amor.

Esperam até que bata à sua porta

com rosas e tudo mais.

Passam as horas arrastando pro lado

pessoas únicas, de afeto e personalidade.

Não há mais o encontro

no café, bar ou boate.

Agora é na net.

Essa é a parte

que mais entristece:

um amor que não amadurece.

Não existe beleza mais.

Não aceito um amor assim.

Espero um dia achar a paz

e o amor que foi feito pra mim.



Minha muiraquitã


Minha 

Amor meu

De meu pensamento faça amar

Eu

Minha muiraquitã

Estrela, gema que me guia

Não sou o herói de toda nossa gente

Mas serei seu

Devorarei ti como piaimã

Brincaremos a tarde inteira

Faremos poesia com a literatura do teu nome 

Andrade


Sentimentos bons

Passo dias a rondar as rosas
Penso em que momento vou as dá
Para aquela que me faz delirar

Inspiro-me na morte triste do pássaro atropelado
No passado não vivido do homem sem dor

A vontade pura de uma alma má
Que nunca feriu ninguém
Que me faz sofrer
De amor, medo e dor

Não sei o que falo
Quando falo sai do peito
Isso me apavora
Nunca irei embora enquanto houver um sentimento

Aquele que sinto ao olhar em seus olhos
Ou aquele que me dá quando bato o dedo no chão
Até aquele depois do sexo que me tira o tesão


Eus 



Meu fantasma

Meu melhor verso é aquele que nunca irei escrever, aquele que dói no mais fundo da minha alma e nem louco ou bêbado conseguiria sair, o demônio fundo que me mata aos poucos por dentro, como a cachaça que me embriaga ou o coração que um dia a de parar de bater. Fugirei do cheiro do sangue frio que no chão da minha casa se encontra, meu violão não aguenta mais ouvir o lamento da saudade de uma poesia inexistente que nunca vou conseguir conceber, no fundo da mente sóbria nua em pensamentos fúteis sem a vontade é só amor e fé descrente. Sou uma farsa, um falso poeta, escritor e homem. Não sou gente, sou nada. O que aqui ainda resta é só o meu fantasma.



Insegurança 


Profundo como o poço que me prende e escondo a mim mesmo da realidade

Meus sentimentos não estão devidamente protegidos

Por isso minha insegurança crua parece profundidade fútil 

Não há razão pra dizer o que sinto no fundo do meu peito

Mas nas linhas saem o que nem a mente pode sequer avaliar

Não penso na próxima linha que ei de rasurar

Cadencio o movimento do lápis 

Ao escrever só o pensamento mais fundo 

Que eu só recitaria no vazio  espaço


Hipocrisia

Hipócrita sou sim
Sou do sim e do não
Todo poeta é assim

Não sei se a hipocrisia está em mim
Ou a poesia é assim
Sou luz e apagão

Mas não sou ruim não
Contradigo a mim mesmo
Evoluo assim
Dizendo versos sem noção

Meu vilão 


O meu eu sanguíneo

mata aquilo que me faz são 

Minha mente entregue

mente, para que eu não fuja

quando se entende

vê-se que é suja


Torturo minha existência 

com a poesia suja

finjo saber quem sou

assassino de mim mesmo

dormindo na luz que passou


entregue na ternura fria do meu abraço 

me faço insano

e no compasso

mato, mato, mato


Minha loucura


Quando digo que sou louco

Não minto

Sou doido pelas coisas da vida

Pela beleza gélida da morte

A esperança ingênua do amor 

O olhar sem vida do vivo

Pela poesia

Escrita que me faz ser eu

Entender a Deus

Descrição do anjo da morte que matou a mim

Com sua caneta e palavra

O meu cadáver ainda escreve, ama e dorme

Minha alma nunca descansa



Medo de mim


Tenho medo do fracasso

fico azul de pensar em ser instável 

como meu caminhar bêbado 

que minha mãe parece não perceber

meus poemas são respostas sinceras a perguntas que não tenho

e pra que eu devo responder elas?

qual o sentido de escrever sem querer mudar o ruim que essa bola azul cheia de vida carrega?



Contraponto poético 


Estou feliz

Por isso escreverei com angústia 

Quando estou triste 

Recitarei o amor com a maior felicidade 

Poetizo o que me carece

Sem perder a vaidade do sentimento

A ternura do pensamento

E o desejo nostálgico da frase não escrita



Ode ao meu pior verso


Poesia é tudo aquilo que fazemos

Sinto a minha como um campo de guerra

cheiro de corpos sem vida 

armas letais intocadas

e amores perdidos

faço parte do ódio ao que sou

compartilho da vida mansa

vagabundando na poesia que me levanta 

minha falta de compromisso me assusta

não olho métrica, gramática ou algo do tipo

escrevo o que meu coração podre manda

o frio do chão que acolhe

é o mesmo que um dia vai me abraçar 

no braço da mulata que à Anúbis vai me levar

espero, pondero sobre quanto tempo vai demorar

odeio esses versos

por isso escrevo 

careço de atenção contestante

 


Saindo do bar


No frio chão sujo

Cai a gota que não consegui beber

Recordo do beijo que perdi

Do amor que tenho

Admiro os bêbados 

Pois os sóbrios nada tem a me oferta

Enquanto o jogo passa

A alma esvazia junto do copo de cachaça 

Quando a bola atravessa a rede

O grito silencioso da alegria errônea dos perdidos de amor

Todo poeta é uma farsa

Não bebe da água que sai de sua barca 

Quando chora triste a mulher amada

Triste fim para os poetas

A cachaça desce com dificuldade

As palavras fogem do mau hálito 

O andar bambeia sem saber

O coração manda sem olhar

A farsa é dizer que eu não sei amar



Precisa dualidade


Não existe amor

sem ódio 

Não há nada sagrado

sem o maléfico

Não há beleza

sem feiura

Não há alegria

sem tristeza

Não há vontade 

sem o não 

Não há passado

Sem presente

Não há nada não 

Tudo deve ter seu oposto

Mesmo sem ter noção 

mesmo não sendo a gosto não



Heróis


Queria escrever como Caetano

Cantar como a Gal

Ouvir como fulano

E dizer que tudo está normal

Queria tocar como João 

Gilberto, Alberto, experto 

Ver o mundo como Tom

Jobim ou Zé

Entendê-lo como é 

Assim entrego minha arte

As artistas que conheci 

Para entender o que?

Que Bethânia veja minha poesia

Caymmi fale com minha língua 

Belchior compartilhe meu coração 

Milton Nascimento o meu perdão

Conforme avanço 

Mais confuso fica o mundão 

Por isso busco em sua canção 

O acalento pro meu coração



Minha história


Com a chegada na estação 

Houve a escolha sem razão 

Enquanto espero o trem da morte

Vou querer a cremação

Quando cheguei em São João 

Parei na contramão 

Esperei na estação 

Pra crescer de montão

Assim que fui ao interior 

Levei comigo a dor

Que meu forte coração 

Me entrega em aflição

Conforme fui crescendo 

Vendo o mundo novo

Entendendo que sei tão pouco 

Aprendendo a dizer não

Agora estou aqui 

Escrevendo sobre mim

Esperando Deus

Chegar assim

Quando a morte chegar

Esperarei em meu lugar

Só lhe peço uma coisa

Não me espere numa moita



Poemeto de aniversário


Com dor no coração me despeço 

Do ano que me fez mais completo

Muitas tristezas teve, mas alegrias que contam

A história que um dia lembrarei com saudades

"Ah meus 17 anos!!"

Agora espero novas memórias, experiências e mais importante amigos que estão comigo e os novos que virão a estar.



Minha poesia


Falo demais em amor

Pois tenho medo do escuro

Escondo-me atrás da minha poesia

Com pavor que me vejam desnudo

Despido de qualquer ego

Sem orgulho

Não direi sobre a dor

Me encontro nessas palavras frias

Nessa prosa mal feita 

O aconchegante abraço da vida

Assim se fez minha poesia



Não quero me arrepender


Quero ajudar gente, 

Não quero me prender nesse mundo de trabalho e dinheiro. 

Dinheiro passa, 

E trabalho é feito pros outros.

Quero ajudar a todos, 

Mudar o mundo, 

Escrever, sentir o que é ser, 

Entender que o bom 

É sorrir e compreender o outro.

Não há fundo maior 

Que morrer sem ajudar. 

Vou com certeza me arrepender quando morrer, 

Mas não quero me arrepender por não tentar — 

Mudar esse mundo, colocar sorriso nas pessoas 

E fazê-las entenderem minha poesia é meu amor.



Ser poeta


O poeta deve ler

Observar e crer

Ler para entender a si 

Observar para compreender o mundo

E crer para confiar no próximo

Lendo ele transforma

Observando ele se eleva

Crendo ele persiste

Não há forma pro poeta olhar o mundo

Há sentido vendo o outro

Crível é tudo que sente

Creio no amor e no meu povo

Creio que minha poesia muda

Conforme leio e observo

Mundo, mundo, mundo

Sigo lhe vendo a vida

Lendo o tudo

O poeta precisa

Do que?! Não sei

Mas lendo, observando, acredito que um dia saberei


Leia, escreva e reflita 


Ler é como desafiar a Deus 

Consumir um universo que o mesmo não o controla 

Tomar pra si um conhecimento proibido 

Que do mundo há outros

 Com palavras e imagens Tudo se transforma 

Com verso e sentimento o novo amor pode até vir a se tornar tristeza Escreva, leia e reflita 

Assim tomará as rédeas de sua existência e nem 

Deus poderá lhe fazer menor


Cotidiano

O prático escritor
Leva a vida na mesma
Acorda, escreve e dorme
Escreve por que os anjos abençoaram-lhe com o dom da escrita
Já cansado, o proletário
Leva sua vida no miserê
Acorda, trabalha e dorme
Por que o capitalismo o oprime e obriga a trabalhar até que seus ossos esfarele
E eu, não durmo
Só acordo, acordo para escrever e mudar o mundo
Ou seja, acordo na ilusão
Mas e Deus, o que faz?

O ser poeta 


Atordoa meu pensamento, o tempo, o amor e o sentimento, tudo aquilo que enumeram os poetas, colocam tantas emoções em verso, sincero, posso citar vários, os que com as letras se engraçam, os que transam com as notas e os que socorem o grito com as palavras. Poeta é o que descreve o homem que usa a caneta para fazer o que há de mais bonito, o sentimento, quando se fala em poesia, fantasia, o que é escrito em um belo dia, onde o Sol está a sorrir, na tarde que cansado o operário deitasse no sofá, na noite inesquecível com sua ou qualquer amante, é a magia em que frases viram versos e o tempo se faz imortal, o homem, poeta se sente como Deus, aquilo que tudo criou.


Ritmo


Ta tudo bem


Tatu tatu bem

Tatu tatu bem

Tato to tatu

Bem bem bem

Tatu tu tato

Nem nem nem

Tatu to bem?



Poemeto do O


Na terra do louco

O surdo ouve

O cego vê 

O mudo fala

O bobo estuda

Mas o ignorante…

Em terra de são

O padre é santo

O artista são

O médico bom

O homem tem paixão

O poeta tem tesão

Mas o ignorante…

Ainda assim continuo!



NÃO


Não faça alarde

Não grite 

Não se manifeste

Eles não querem lhe ouvir

Não escreva

Não assista

Não faça arte

Eles vão lhe parar

Não planeje

Não revolucione

Não explane

Eles não querem mudar

Não faça 

Nada

Nada

Nada!!!!!


Política


Alienação


O amor é tolo

Tudo que eu disse

Está em torno 

Do ser e do é

Minha poesia não quer

Mudar o sonho

Eu preciso mudar

O mundo

Não há explicação 

Há entendimento

O mundo moderno 

E experto

E eu espero



O caixa

Todos passam por mim, vejo tudo que compram e deixam de comprar, sei o que comem e bebem, mas eles nem meu rosto conhecem, sinto-me como um robô e eles acham que eu devo os servir. Ganho nada do dinheiro que me dão, sinto-me invisível e não sei a solução.


Caminhada

Ando sempre pela rua feliz, todo dia, religiosamente, eu vou e passeio pela manhã, mas tem um detalhe que sempre me incomoda, os olhares, as pessoas me olham como se eu fedesse ou estivesse coberto de merda, mas eu sempre uso perfumes e ando sempre limpo, nunca entendo os olhares, mas aprendi a viver com isso. Até um dia que quando estava em minha religiosa caminhada, um senhor me parou e disse: Sai daqui! Não é lugar para o seu tipo! Eu não compreendo o meu "tipo". Sou um homem normal, alto, com um emprego e sendo humilde, sou até bonito, tenho uma pele cor de ébano. Não sei o por que incomodo, nem se um dia vou deixar de incomodar, mas por enquanto, caminho.



Caneta


Toca em mim com intimidade

Me usa como queres

Me desgasta

Quando me canso sou trocada

Sou nova

Mas vivida

Escrevi poemas e histórias 

E agora no fundo me encontro

Da gaveta, do estojo e da lixeira

Já tive pena

E vocês 

Nunca tiveram de mim

Nem aqui fui usada

Quanta ironia 

Essas minhas palavras

Fui trocada pelas máquinas


Contos


Brasil, o país que deu certo


Tudo aqui é visto. Um homem vai todo dia até a estação, entra no trem e de pé espera com calma todos serem revistados. Uma mulher é pega, aparentemente encontraram anticoncepcionais em sua bolsa, o homem ainda de pé, só volta a olhar a estação, tudo está como sempre. Ao chegar até seu destino, põe suas coisas na mesa e se senta, começa a trabalhar, na hora de sua pausa, ele e seus colegas vão até o refeitório, oram e depois comem, voltam a trabalhar. Essa rotina se repete, todos os dias do ano, não há descanso, os grandes falam que faz bem, a oração vai lhe fazer descansar no pós-vida, então, enquanto se vive, trabalhe, trabalhe muito, para que o país prospere. Fora do prédio cinza que o homem trabalha, a polícia ronda, bate nos que vivem na rua e de lá sobrevivem e conduzem jovens rebeldes que estão sentados na praça a conversar. Esse é o Brasil, país que todos que não moram, querem morar, mas todos que moram, querem morrer.


Campo de guerra


Cheiro de enxofre, calor e sons ensurdecedores, acordo em meio a cadáveres de companheiros mortos, a guerra dói, dói principalmente por não ser nossa, mas sim deles! Aqueles que nós criaram, levanto e vou andando, desnorteado tateio o caminho, não sei para onde ir, sinto em meu âmago uma mistura crítica de raiva e arrependimento, deixei tudo para trás em devoção aos deuses, eles me fizeram, logo me protegem, porém fui tolo a pensar que só eu fui criado, só eu os venero, agora me enveneno com a imagem de um campo de guerra frio, com corpos ao chão, natureza extinguida, tristeza e solidão, grito desesperado, grito até pelo inimigo, mas não há resposta, a não ser a do vento, que não traz notícias boas. Não há ninguém, o desespero começa a tomar seu lugar em meu coração, ajoelho-me ao chão impuro com sangue de almas boas, e choro, pergunto o porque disso, o motivo de ter de ser assim, se os deuses agora estão a cantar pela vitória, que a eles não pertence, não tenho essas respostas, arrependo-me por ainda estar vivo, minha covardia me faz um tolo, meu medo humano, tornou o eu em um monstro. Vejo ao longe o ceifeiro, infelizmente não está aqui para buscar à mim e nem aos deuses.


O homem de Deus


O padre diz amém, todos saem da igreja, menos um homem, vivido, alto, de cabelos grisalhos e barba baixa. Mesmo após o encerramento do padre, o homem permanece sentado, de olhos fechados e murmurando um salmo baixo. O padre curioso com um comportamento tão incomum naquela região, uma cidade grande, todos estão sempre ocupados com o trabalho, “tem pouco tempo para Deus” sempre reclama o padre. Quando vê que o senhor terminou sua oração o perguntou:

—- Olá, precisa de alguma ajuda, senhor?

O homem nega com a cabeça, comprimenta com reverência o padre e vai embora. Saindo da igreja bonita, grande, o senhor segue até sua casa, confuso, mudou-se a pouco, chegando em casa, um apartamento vazio de cor e beleza, apenas uma imagens de nossa senhora na única mesa da casa. Todo dia passa a ser assim, igreja, casa, igreja e casa, o padre já o conhece, os fiéis também. Ele não é de falar muito, mas é um homem do senhor, tem muita fé, está sempre na igreja e sempre ajuda o próximo. Uma vez deu sua roupa do corpo para um homem que de frio quase desfalecia. O senhor era o homem perfeito, passou a ser amado na pequena comunidade da paróquia de santo Fesch, até que um dia essa confiança foi abalada, várias sirenes foram ouvidas fora do templo, todos assustaram-se com a chegada abrupta de polícias fardados indo de forma bruta e desesperada atrás do senhor de Deus, isso assustou a igreja, até o momento em que o policial dizer:

—- Você tem o direito de permanecer calado, assassino de merda.

A igreja desaba, não há fé que consiga explicar a sensação de descrença e desconfiança presente naquele ambiente, um homem como aquele, é um assassino, um criminoso? 


Carlos e Dora


Amantes inseparáveis, amavam-se tanto que sempre estavam juntos, iam ao mercado, padaria e médico, há boatos que eles não se desgrudam nem na hora que evacuam. Um dia, Carlos caminhava até seu trabalho, é claro, com Dora o acompanhando de perto, trabalhava na fábrica, só conseguirá emprego lá, porque Dora não era letrada, já Carlos era formado em economia, chegando lá os dois tiveram que se separar, Dora desesperou-se, ele tinha que ir para outro departamento, um de seus colegas sofreu um acidente, Dora não conseguia ficar sem seu amado reclamou, mas todos lá sabiam que ela não o largava, não só  por amor incondicional, mas também por um demasiado ciúme, o amado também fazia parte dessa culpa, ele não gostava de ficar longe dela, a teória é que ele acustomou-se, só as vezes sentia-se sufocado. 

Carlos era baixo, de cabelos bem curto nas laterais e nenhum fio na parte de cima, em sua juventude foi apelidado de Aeroporto, tinha grama nas laterais e uma pista de pouso no meio, o que piorava ainda mais e que ele pintava a parte de cima para que a calvície prematura não aparecesse, Dora, era linda de morrer, morena, de corpo esbelto, cabelos afros e olhos negros e grandes como jabuticabas, tinha o coração de todos os guris e a inveja de todas as moças. Ninguém tem certeza de como o improvável casal aconteceu, mas se sábia, que apesar dos ciúmes e diferenças eles amavam-se.


A moça do mar


O sol bate na água anil do mar, refletindo sua grandeza, a areia fina da praia quente gruda-se em meus pés, ando enquanto pensando sobre o mundo, vejo as crianças tristes por ter de abandonar a água a mando de seus pais, os nadadores rápidos deixando o oceano só e os cães correndo pela praia felizes, quando chego até o final, deserto, aqui não há mais pessoas, apenas eu e o mar, o grito das pedras quando as ondas colidem nelas e o som do vento dando adeus ao sol, sento-me na beira do mar, sou abraçado pela espuma branca da água e os peixes vão se embora junto ao brilho solar, a noite cai e a luz do luar ilumina agora o mar que gosta da noite, sempre que se encontram o mesmo entra em um estado de euforia, beija a areia da praia ainda mais e levanta-se em ondas ainda maiores, sendo abraçado por todos os lados vejo ao longe uma silhueta, uma mulher, algo nela me encanta, deslumbrado tento ir até ela, nado, nado, nado, mas nada, nada que faço parece funcionar, quanto mais esforço faço mais longe ela vai, penso em todas as histórias de sereias que já ouvi e me “descorajo” e cansado desmaio, mas aos poucos ela abruptamente começa a se aproximar, quando seu barco chega ao meu corpo a boiar ela beija-me de forma violenta, mas aconchegante, quando acordo só lembro da sensação. Nunca soube o que aconteceu de verdade, nunca soube o nome da moça que me fez sentir o oceano e sua dualidade.


Os ossos de minha mãe 


Os ossos de minha mãe estão espalhados pela sala, o sangue seco de meu cadáver sujou o tapete camurça, na minha perspectiva vejo horrorizado, uma mulher bela e jovem e um jovem rapaz no chão de uma sala de estar, com o sol quente adentrando pela grande janela mostrando a beleza que há naquele lugar, pode ser que os vivos não há vejam, mas ela existe, é tão real quanto eu, um fantasma, alma viva, morto dissociado da natureza, minha existência é impossível, ou melhor, improvável. Após observar por um certo tempo os corpos desvividos, percebo que sobre a caminhada que me trouxe até aqui. 

Nasci cedo, morri jovem, não havia hospital, nasci em casa, minha mãe teve-me enquanto cozinhava para sua patroa e filhos, me teve de pé, sem ajuda, guerreira, foi um absurdo! Essa mesma patroa, senhora Benn era uma mulher de sucesso, matou seu marido e tomou as rédeas de seu empreendimento, não era uma boa pessoa, demitiu minha genitora, 19 anos de idade, recém mãe e agora desempregada, por sorte conseguimos uma casa grande, com uma boa família, acolheram eu e minha mãe com ternura, vivemos alguns anos com eles, até que uma tragédia aconteceu, quando eu tinha 13 anos, eles foram encontrados mortos no porão de sua casa, coitada de minha mãe, foi brutalmente interrogada, mas ela não fez nada, essa família tinha dinheiro e deixaram a casa e uma pequena fortuna para nós, vivemos bem, até o dia de nossa morte. Uma tarde quente estávamos eu e minha genitora na sala fazendo atividades diferentes, até que ouvimos um barulho alto de passos, curiosos  fomos ver o que fazia o som, quando íamos levar do sofá uma silhueta nos atravessa e brutalmente tira toda a pele e carne do corpo agora em ossos de minha mãe, misteriosamente ela ainda grita, enquanto sua carne cai ao chão e seus ossos se espelham pelo lugar logo depois, eu desesperado tento correr disso, confuso não vou muito longe, antes de sair da sala sou atravessado e todo meu sangue é tirado de mim. Assim que me tornei esse fantasma, sem vida e confuso. Agora meu inferno é olhar meus restos e o que já foi minha vida feliz.


1964 - O ano que meu sangue virou tinta


      O dia começava e eu estava com a cabeça sobre a escrivaninha, o sol batendo em meu rosto e a saliva caindo sobre a folha do caderno em que coloco todo o meu coração. Direciono meu olhar para a parede e vejo que me atrasei para meu emprego, às vezes durmo demais, principalmente quando passo a madrugada escrevendo, algo que me acontece com certa frequência. Levantei-me da cadeira e fui fazer meu café e buscar o rumo do meu trabalho.

      Chegando lá, sou chamado de vários nomes por uma pessoa que de nada entende, não sabe que do meu atraso nasceu versos que nunca na vida  o mesmo leria, por que o trabalhador não tem tempo e não foi incentivado a ler, após ouvir muito sento em minha mesa e passo o dia pensando na morena que todo dia às nove horas vejo passar, com suas roupas marcantes, joias douradas e postura firme, o triste é que não a vi hoje, passo a tarde anotando reuniões do homem que nada sabe e pensando no próximo verso que escreverei sobre Amélia. Com a lua grande iluminando o triste caminho até minha residência, estava linda como sempre, abro a porta do meu humilde barraco que muito aparece em meus poemas, aqueles que me maltrato dizendo que de nada minha vida vale:


Barraco 


 Dentro de ti

sinto-me frio

o teto de zinco não acalenta meu triste pensamento

O sol que da janela entra

perfura a parede desgastada

mesmo o sol quente

a solidão imensa daqui

me faz presente


     Acordo no dia seguinte com as costas cansadas, ligo o velho rádio e ouço um chato general anunciando uma mudança tremenda, não sou muito ligado a política por isso nem me faço atento, vou para a cadeira dura que me encontra todos os dias e faço o de sempre. Sigo todo dia com a mesma rotina , mas com a diferença que hoje vi Amélia, estava linda como sempre, Amélia é uma forte mulata, que todos os dias encontra o homem que nada sabe, o que mais me entristece é saber que eu, um poeta apaixonado nunca saberei o que é o amor real, duradouro e mútuo. 


Amor meu

Amélia 

mulata que me leva ao delírio 

forte, corajosa e de muito carisma

Pouco me deparei com você

mas conheço seu brilho

o ouro que fazem suas joias

o cabelo sempre rebelde

deixa minha vida melhor


Escrevo isso no caderno que esta sobre a mesa que anoto os recados para aquele homem, tão pouco preparado para tal trabalho, mas por algum motivo foi posto em um cargo de maior importância, dizem que o mesmo é filho de algum político relevante. Não posso queixar-me de tudo, pois não sou o melhor dos secretários, com frequência esqueço de algo importante, mas também não sou de jogar fora.

      Na manhã seguinte a rotina chata é quebrada quando percebo que às nove horas Amélia não apareceu, espero mais algum tempo e nenhum vestígio da morena, então por curiosidade e impulso questiono o homem que nada sabe sobre sua amante corriqueira, o mesmo cita que Amélia está em uma manifestação contra a tomada do governo pelos militares, em tom seco e desinteressado ele diz que ela é muito engajada politicamente, principalmente por ser parte do sindicato dos professores, ele clama: 

— Quanta besteira! Mulher se envolvendo com política! 

Agora entendo o porquê de Amélia ter uma postura tão firme. Me preocupa um pouco ela se relacionar com um homem desse tipo, mas ele tem certa influência, e também ela estar em um lugar desses, mas também  admirável, o que mais me preocupa é que ando ouvindo rumores de amigos artistas, que seus trabalho andam sendo monitorados e cortados pelos militares,mas nao devo me preocupar com rumores, ela deve estar bem.

Alguns dias se passam, faz tempo que não esbarro com Amélia, no começo imaginei que a mesma tinha se cansado daquele homem, mas agora me preocupo, porque vi ele dizendo que ela está desaparecida. Logo me recordei dos rumores, fiquei tão preocupado que não consegui dormir por dias, agora me encontro aqui escrevendo a mão livre um poema:


Eles

Antes via a os malandros na rua

agora só encontro homens que se dizem gentis

usam uma roupa esquisita

e impõem suas regras imbecís 

‘’O bem pro povo’’

Mentem como quem cresce o nariz


Hoje acordei assustado com uma carta que recebi, dizia que o jornal local queria um poema meu, já tinha publicado alguns antes, mas nenhum digno de felicitações, me preparei e mandei meu último poemeto à eles, na manhã quente ouço algo que me preocupa, o rádio anuncia que houve morte durante a manifestação que Amélia estava. Fico uns dias seguindo minha tediosa rotina, nada de Amélia, fico preocupado e vou atrás de mais informações, vou até o sindicato que Amélia trabalhava e falo com uma recepcionista sobre os mortos e descubro que muitos foram mortos, mas a gentil recepcionista diz fofoca sobre o desaparecimento de alguns corpos e reforça os rumores sobre os militares.

Dias se passam e eu estou a procura de Amélia, todo dia vou procurá-la no sindicato, estou começando a perder minhas esperanças. Hoje encontrei uma colega dela e a mesma disse-me em um tom triste e com uma pitada de desespero que Amélia provavelmente está morta, meus olhos marejaram, senti minhas pernas tremendo e com dor no coração me dispenso e vou sem rumo, as horas passo e me encontro numa esquina, ao longe vejo homens fardados vindo em minha direção, chegando em mim, eles me põem contra a parede e fazem perguntas esquisitas e usando de muita violência, de tão atordoado não respondo de forma que eles julgam satisfatória e por isso me agridem de forma bruta, fico ao chão e ali mesmo adormeço. Ao acordar eu vou para o meu barraco e de lá deito-me. Fico dias preso sob o teto de zinco, medo, tristeza e angústia me perseguem, nada sai da ponta de meu lápis, sinto que não consigo mais escrever, com o corpo tremendo pego um pano branco e uma faca na pia e corto a parte inferior do meu braço, a cor vermelha encontra o chão e se faz tinta, pintando com o cheiro de cadáver o lugar. Enquanto minha vida vai aos poucos se exaurindo escrevo com ela ao chão; ‘’Deixo meus amores na poesia, enquanto vivo fui poeta, agora na terra deixo meu sentimento e esperança para que o mundo melhore. Adeus, faço de meu sangue minha poesia e de minha morte protesto.’’ Fim.

O homem de calçados zebra de bico fino 


No refúgio dos malandros e dos bêbados, um homem de calçados zebra de bico fino e terno de veludo branco, sentado em uma mesa com um maço de cigarro e um copo americano com o resto deixado para o santo. Levantando-se da cadeira de madeira velha, o homem vai caminhando com um pé a frente e outro atrás e o tronco sendo puxado para baixo, ao chegar na beira da calçada vê-se um obstáculo tremendo na confusa visão do homem, mesmo tarde há carros passando pela rodovia, ele se vê em um impasse o quanto esperar? O mundo vai para um lado e para o outro e com medo o mesmo começa a caminhar até a outra calçada, com o olhar fixo em seu destino o homem segue angustiado com o andar torto e o com o chão o chamando, mas quando percebe se encontra no outro lado. Vai andando barbeando o vento e levando consigo o odor da cachaça que bebeu demais, indo pela calçada se apoiando na parede, quando chega na esquina seu sustento acaba, cai ao chão. Tentando se levantar o mesmo sente o mundo o puxando e suas pálpebras pesando, quanto percebe sua perna se levantando, faz com que o corpo a acompanhe e quando consegue ficar de joelho, seu tronco ainda curvado aos poucos se levanta e quando consegue de pé ficar ele segue seu caminho. Ao andar na rua mal iluminada, se vê o terno que agora manchado e sujo, vê-se um homem andando ao longe e a mil a mente do bêbado se encontra a mil, sente angústia e desespero enquanto tenta não olhar para o estranho, mas vê que aquilo que temia era apenas um homem como ele, com um gesto de cabeça os dois se aliviam e seguem seus opostos caminhos. Ao fundo o homem ouve um alegre cantar, subindo com dificuldades segue em busca de seu barraco e ao chegar uma luz tampa sua visão ele segue em frente, quando seus olhos se acostumam aquilo, ele vê uma roda de pessoas iluminando a noite com a beleza do samba, o homem para, observa e até se atreve a dançar, bambeando e trocando os pés segue até sua casa e quando chega deita-se, abraçado pelo distante batuque quente.


Na manhã seguinte, o homem acorda com dores no corpo e na cuca. Levanta-se com certa dificuldade e vai até a porta de seu quarto, com a vista turva segue por memória o trajeto do banheiro, lá senta ao vaso e faz suas necessidades, levanta-se e vai banhar-se. Já limpo coloca sua roupa e seus calçados zebra de bico fino e vai até sua cozinha, põe a massa velha e come pura, pega seu maço de cigarro e sai de sua casa, ergue o braço e põe o chapéu branco sobre a cabeça, segue e desce o morro e vai pelas, agora claras, vielas que na lua anterior passou cambaleando, chega na mesa que anteriormente sentou-se e pôs seu chapéu e seus cigarros, vai ao balcão e de sua boca sai o cotidiano pedido. E quando a tarde cai seu estado se assemelha com o da noite anterior e vai assemelhar-se ao de amanhã.


Espero sinceramente que a leitura tenha sido satisfatória, obrigado por ler.




Eu Poetico 

Lucas Wilson


Comentários

Postagens mais visitadas