O espetáculo do inferno

 

O espetáculo do inferno 


(Ato 1)


Abrem-se as cortinas do imenso teatro, o espetáculo inicia-se e toda a plateia numerosa grita em desespero, o som reverbera tão estridente que todos calam-se, agora o sofrimento silencioso começa, no centro do palco um homem sorri satisfeito e começa.


— A anos a humanidade esforça-se para se manter no topo, não se importando com a pilha de cadáveres que deixou ao longo desta falha jornada, agarrando-se em esperanças de que toda essa destruição os levaram para um lindo e utópico paraíso. Infelizmente, enganaram-se.


A figura elegante lentamente deixa a luz que o cerca, o palco escurece, um homem vestido com peles distintas de animais toma frente, segurando uma lança rudimentar grita e a expõe sobre seu corpo robusto, sua fala é incompreensível, no entanto seu ódio é visível, outro similar surge e no mesmo movimento o embate começa, a cena é sangrenta e desnecessariamente brutal, não há razão para aquilo, o ódio parece ser intrínseco dos indivíduos. O vitorioso não termina a batalha ganhando, morre, seja por exaustão ou sangramento, o público horrorizado, mantinha-se em silêncio e novamente a elegante figura ressurge, em meio aos corpos ensanguentados e diz:


— Aqui se inicia, o ódio que a humanidade nutre, desde o início dos tempos, como observaram, não há motivo ou impulso prévio, apenas brutalidade primitiva e irracional. Os senhores podem pensar “Não repetimos isso, nossas guerras, nossos conflitos, todos tiveram uma razão”, e eu os pergunto, qual?


Desaparecendo de forma abrupta, outro cenário surge no grande palco, destroços de uma civilização, terra seca e árida, em meio aos destroços aparece um homem, de mãos vazias, magro, com olhos secos, sem mais lágrimas para cair, do lado oposto um soldado, de armadura de bronze reluzindo com a luz forte, sua espada não carrega um pingo do sangue das milhares de almas que ceifou, o magro homem assusta-se com a presença repentina do soldado e ajoelha-se pedindo ao homem misericordia, seu olhar tem um peso de quem viu todos que amava morrerem, por caprichos de homens que nunca sofreram como eles, pelas mãos de sádicos e agora, ele encontrou-se com um desses, o soldado, com seu rosto coberto pelo bronze aproxima-se do homem, sua súplica aumenta, torna-se ainda mais desesperada, o soldado ergue sua mão em direção ao homem, que suspira aliviado, o soldado ajudando-o a levantar-se, quando o homem se levanta um repentino movimento tira seu fôlego, a fria lâmina corta seus pés, o fazendo ajoelhar em frente ao soldado, não há mais forças para gritar, não tem mais lágrimas para chorar, seus olhos fecham-se e o que se segue é uma extença tortura, até que sem vida, o soldado o deixa em meio aos destroços do lugar que um dia foi sua casa.


— Homens bons surgiram em meio aos maus, porém todos foram rapidamente controlados pela massiva quantidade de maus, a humanidade ao longo de sua existência repetiu ações primitivas e irracionais.


A platéia chora em desespero, não há gritos, soluços ou respirações profundas, o silêncio póstumo toda conta de todo o público, o homem elegante os alerta:


— O sofrimento que sentem agora, não é culpa de ninguém além de vocês mesmos. 


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