Servegonhici & outras conversas

 Servegonhici & outras conversas


A urtiga na predra


Seu Zé 

— Meu amigo! Como podi uma urtiga nace numa predra? 


Seu Enoc

— Isso acontece mesmo meu bom, é que coisa ruim brota in tudo!!


Seu Zé 

— Mesmo assim Enoc, não tem cumpustura uma coisa dessa!


Seu Enoc

— Tu tá até a boca de razão, no intanto, minha avó, que papai do céu a tenha, sempre me dizia que urtiga de pedra, acaba com aqueles durinhos que ficam no rim dos idosos!


Zé se espanta!

— Não é possível macho! Essa planta mizerenta acaba com as pedra no rim da gente?!


Seu Enoc

— Acaba mesmo! Já disse a ce que minha avó dizia rapaz!


Seu Zé reluta ainda, porém os dois homens continuam em direção ao sol, vagando por esse grande Brasil.


Servegonhici


Seu Enoc 

—Seu Zé, senhô pós os olhos naquela mulher? 


Seu Zé 

—Eu bisoiei sim, que poca vergonha, quanta servergonhici! No tempo que eu era juvenil, moça não mostrava nem as canelas! 


Seu Enoc

— Tá cagado de razão meu velho, minha anja Maria, nunca que punha uma veste desse charme, nem as primas de quando éramos garotos tinham tal safadeza!


Seu Zé

— O tempo que não volta! Agora é esse bar, tu e eu, não temos mais nossas muie!


Seu Enoc 

— Sinto falta de minha Maria, mas meu bom, estava aqui cucando com minha cuca, mulher agora não depende mais de ninguém não, deixa as meninas usarem o que querem!


Seu Zé 

— Tão mais que certa, purque que beleza é a mulher, né!?


Seu Enoc

— Com certeza! Lembra daquela galega de nosso tempo?


Seu Zé 

— Como não me lembrar, o primeiro olho que prende o cabra, ele nunca esquece!


Os dois em uníssono 

— Meu companheiro! Trás mais duas da branquinha pra nós esquecer a mardita que fez os corações chorar!!


A venda do Galo


Seu Zé

— Meu cumpadi, quanto quer nesse galo forte que só a porra?!


Seu Enoc

— 70 real te resolvo essa história, porém, tem que levar a galinha junto!


Seu Zé

— E quanto que custa a danada?


Seu Enoc

— Ela sai por 100 conto limpo, isso só purque tu é meu amigo!


Seu Zé

— Por que a galinha é mais cara que o galo?


Seu Enoc

— Ela é braba que só a bixiga, não deixa o coitado do galo ir se embora sem ela não.


Seu Zé 

— Então por qual motivo ela é mais cara?


Seu Enoc

— Ela pode te dar mais galinhas, se você tiver mais galinha, quem que vai comprar as minha?


Seu Zé ri E entrega 170 para Seu Enoc pelos dois animais


Seu Enoc e o Drogo 


Seu Enoc estava em seu bar, bebendo água que passarinho não bebe, até que chega um homem e diz.

—Meu amigo, me traz uma cerveja bem gelada! 


Seu Enoc

—Nossa, qual teu nome criança, tu é fi de quem?


— Me chamo Drogo, sou filho de dona Marta a costureira.


Seu Enoc

— Nome de Santo? Pena que não é lá o mais bonito.


Drogo

— Santo? Tem algum com meu nome?


Seu Enoc

— Tem sim sinhô, São Drogo o padroeiro dos feios!


Drogo

— Então o nome não me cai muito bem!


Seu Zé chega, cumprimenta a todos e senta-se do lado de Drogo.

— Qual que er o assunto da conversa dos dois?


Seu Enoc

—O garoto tem nome de Santo.


Seu Zé

—Que nossa Senhora que me perdoe, mas esse homem só pode ser chamado de São Drogo.


Todos no bar caem na gargalhada e Seu Zé fica confuso.


Medos de piá


Seu Zé

— Enoc, de que o’cê tinha medo quando era rapaz?


Seu Enoc

— IIIh! Rapaz, quando eu era moço tinha um medo danado de varrerem meus pé!

Diz o Senhor rindo feito criança.


Seu Zé

— Com certeza meu amigo, o medo de quando mainha varria nossos pisadores!


Seu Enoc

— E o’cê meu velho, de que temia?


Seu Zé

— Muita coisa, era um piá mais medroso que filhote de rato! Tinha medo de sonha com dente, por que meu pai falava que era morte, de varrer a casa em dia de sexta feira santa, iiiih muita coisa!


Seu Enoc

— Hahaha! Também tinha um medo danado de sonha com dente! Vovó dizia que se sonhasse com os da frente era morte de algum caba da familia!


Seu Zé

— Uma coisa que fazia quando pirralho era em dia de São João punhar uma bacia d’água e olhar pra nossa carranca nela, se não visse a cara era purque ia morrer no mesmo ano, a gente punhava medo nos mais garotos Hahaha!


Os dois juntos

— Eram bons tempos!


Dor na espinhela


Seu Enoc

— Meu amigo, to com uma dor mardita na espinhela!


Seu Zé

— Hum! Minha mulher teve isso uma vez, a imbusti da minha sogra dizia que tinha que repetir uns versinho três vez.


“Quando Deus andou no mundo

Três coisas deixou,

Arcas e ventos

E espinhela levantou

Levantai a minha meu senhor”


Seu Enoc

— Isso é estória pra pirralho dormir! Aí!

Grita de dor

Seu Zé

— Faça Enoc, deixe de ser teimoso caboclo!


Seu Enoc faz e sua dor se acalma um pouco.


Seu Enoc

— Ei bixo, isso aqui é bruxaiada!


Seu Zé

— Que bruxaiada o que homi! Isso se chama pracebo!


Mãe Lua


Seu Enoc

—Caminhar sobre a lua é bom dimais! 


Seu Zé 

— É muito bom mermo!


Os dois senhores voltam para suas casas em um passo lento, conversando e aproveitando a lua


Seu Enoc

— A lua está bonita que só a bexiga hoje!


Seu Zé 

— Tu tá cubrido de lucidez meu bom!


Um barulho alto assusta os dois.


Seu Enoc

— O que foi isso?!


Seu Zé 

— Se acalme homi, é só um pássaro.


Seu Enoc

— O'cê deve ter razão! Á noite todos os gatos são pardos, né?!


Seu Zé 

— Pelo barulho deve ser a mãe lua.


Seu Enoc

— Um sabiá que não é!


Seu Zé 

— Com certeza é um urutau!


Seu Enoc

— Que Deus te ouça!


Belezas daqui


Seu Zé

— Visse o que aquela cenoura americana falou?!


Seu Enoc

— Vi nada, o que aquele palerma disse?

Seu Zé

— Disse que não quer ninguém dos lugares pobres entrando lá.


Seu Enoc

— Hahaha!! Como assim? Quem que quer ir praquele lugar horrivel?


Seu Zé

— Iiii! O pior que tem gente que é doida pra ir praaquilo!


Seu Enoc

— Fazer uque lá? Não tem uma praia que preste, não tem uma cachoeira, não tem uma morena e nem tem jogo do bicho!


Seu Zé

— E o mais importante, não tem cachaça!


O duro no baile


Seu Zé

— Um homi liso, ele é meio difunto e meio homi.


Seu Enoc

— É mermo?


Seu Zé

— Te dou a minha verdade, uma vez fui num baile arretado de barato, tinha de tudo, comida, bebida, tudo tudo, mas eu não fiz nada, fiquei babando no dedo.


Seu Enoc

— Mas purque o homi liso é igual defunto?


Seu Zé

— Por que o cabra duro vai num baile desse e vai imbora cedo da festa achando que a festa de nada prestava, mas quem não prestava era eu. Homi duro é igual carro sem farol!


Seu Enoc

— Zé, acho que ocê anda muito com Drogo, essas suas frases tão perdendo o sentido!


Seu Zé

— Sai pra lá homi veio! Faz é muito sentido sim, e mesmo que não fizesse, eu tenho razão, Homi duro é triste!


O dia de rezar a missa 


Seu Zé sussurra

— Enoc, meu bom, sabia que o padre bebe?


Seu Enoc mantendo o tom

— E o que tu tem com isso rapaz! Tu bebe também!

 

Seu Zé

— É verdade, nuentanto eu não sou padre!


Seu Enoc

— E o que isso tem haver meu filho? O padre é um cabra sabido, ele sabe das coisa de Deus!


Seu Zé

— È verdade, e se Deus ligasse pra beber, nois dois ia ralar as bunda na pedra descendo pro colo do sete pele! HAHAHA


Com a risada alta de Seu Zé todos da igreja faz em uníssono

—SHISHIIIIII 


Fi do Boto


Depois de muito andar, Seu Enoc e Seu Zé sentaram-se a beira de um enorme lago e começaram a bater papo.


Seu Enoc

— Oh Zé! Sabia que eu sou fi do boto?!

Seu Zé

— Fi di quem? Que estoria é essa Enoc?


Seu Enoc

— Isso mermo que seus orelham escutaram! Sou fi do boto! Boto cor de rosa, aquele da lenda!


Seu Zé

— Que lenda o que rapaz! Teu pai era aquele cachaceiro que tua mãe não se largava!


Seu Enoc

— Claro que não Zé, deixa de conversa! Minha mãe sempre me diz que eu era fi do boto! Quem sou eu pra discordar de mainha?


Seu Zé

—- Que Deus a tenha meu amigo, mas tu não é fio de boto coisa alguma! Tu é fio do General Lozó! Aquele homem tinha a peste, acabou com tanto casamento!


Seu Enoc

— Eu sou fio de Tio Lozó?! Impossivel, tio Lozó so vinha me ver as vez, se o caba fosse meu pai, ele ia me ver o tempo todo!


Seu Zé

— Mas escuta o que te digo rapaz! General Lozó é teu pai, ele ia as vez, pra pagar tuas coisa! Ele era mulherengo que só a peste, mas era homem de palavra, como diria minha velha vó!


Seu Enoc

— Agora to encucado, como nunca pensei que Tio Lozó era meu pai, sempre achei que eu era fi do boto!


Seu Zé

— Esquece essa coisa de boto! Boto é peixe, peixe só tem filho peixe!






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