Ele sempre está aqui
Ele sempre está aqui
Em um dia ensolarado estava eu na sala de minha casa, sentado no sofá, com uma mesa e um computador, nele eu escrevia uma história sobre um monstro que seguia um homem por toda a parte, lá estava eu escrevendo, envolvido naquela narrativa que eu criava, conforme eu escrevia mais e mais eu me envolvia com aquela história, o sol ia se escondendo, porém minha história só crescia, até que de noite eu a terminei, cansado decidi ligar a luz da sala, levantei-me do sofá e caminhei no pequeno espaço até o interruptor, no escuro, liguei a luz, logo me assustei, vi pelo canto do meu olho um vulto escuro passando pela janela, mesmo assustado fui até a varanda ver o que era, olhei para um lado, olhei para o outro, porém não achei nada. Disse a mim mesmo que não era nada.
Eu sou um cara cético, não creio em Deus e nem em nada sobrenatural, porém acabava de escrever um conto de terror, minha mente estava envolvida naquilo, por isso pensei ter visto algo, pensei eu.
Na manhã seguinte, fiz o que sempre faço, coloquei meu uniforme e o fone no ouvido com alguma música que gosto e segui o caminho que conheço bem, após passar o campo perto da minha casa, eu sinto algo estranho: uma sensação de que algo está errado, uma coceira na espinha, mas não dei bola, continuei minha caminhada, porém algo prendeu minha atenção, olhei para trás por acaso e vi, o ser que eu descrevi para o meu conto, um monstro humanóide de olhos de abismo e uma postura cansada, aquilo fez com que por instinto eu corresse, corri muito, subi a ladeira em minha frente como nunca havia subido antes, porém aquele ser nem deu-se o trabalho de acompanhar-me, manteve-se parado, olhando para meus olhos fixamente, eu me acalmei, pensei que poderia ser uma alucinação minha, talvez minha mente querendo pregar uma peça em mim mesmo, agora mais calmo, consigo perceber que a criatura não emitia som e nem parecia mexer-se, isso me acalmou, cheguei a escola e sentei-me no meu lugar, tudo estava normal, até que levantei para entregar a atividade que acabará de fazer para o professor e olhei para a janela e vi novamente, aqueles olhos que condenam, fundos, era como olhar para o próprio inferno, seu corpo inflava com uma respiração profunda e seus olhos não paravam de acompanhar-me, mantive a compostura porque percebi que ninguém o via, por isso não fiz alarde, depois de horas observando-me ele se foi, mas as vezes ainda o vejo e quando não estou vendo-o eu sinto sua presença pelo meu ombro.
Não sei o que ele é, um fantasma, um demônio ou até uma criação de uma mente aos poucos enlouquecendo, eu o criei, no entanto não sei dizer se ele é real ou não, mas tenho certeza que ele está sempre olhando para mim, de longe ou de perto, de dia ou de noite, sempre, ele sempre está lá.
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