O benevolente homem de capuz

 

O benevolente homem de capuz 


A muitos anos havia um pequeno vilarejo em um vale longínquo, nele moravam pessoas de coração puro, estavam sempre a ajudar uns aos outros e de tudo faziam para o bem de todos, numa certa manhã um homem encapuzado de andar lento caminhava pela estrada de barro, seus passos eram longos e fortes, tão potentes que levantava areia ao pisar no chão e deixava a marca de seus pés descalços, a população curiosa, debruçaram nas janelas de suas humildes casas e observavam o andar do misterioso homem de capuz, ele andou até o centro do vilarejo, parou e sentou-se no chão, retirando de forma calma seu capuz, seu rosto era o que mais chamava atenção, uma feição carismática, bela e saudável, parecia ser jovem, mas seu olhar carregado de sabedoria atraiu o povo para perto de si, ele logo proclamou:

— Sente-se quem quiser e peça-me qualquer coisa, se for da minha ossada a farei!

Todos os cidadãos ficaram empolvorosos com a fala do homem, nenhum deles sequer respiravam um pouco mais rápido, porém um jovem magro com os olhos marejados deu um passo de coragem e sentou-se na frente do homem e disse:

— Senhor, se houver verdade em suas palavras, por favor conceda-me a saúde para que eu possa cuidar dos meus filhos! Diz o jovem com lágrimas desesperançosas, houve uns segundos de silêncio que foi quebrado com a resposta do homem: 

— Assim farei, darei-lhe além da saúde, também lhe concederei um corpo forte para trabalhar e cuidar de suas crianças. O sorriso no rosto do homem iluminou toda a vila e magicamente o corpo do jovem tornou-se robusto e sua aparência desnutrida foi substituída por uma saúde visível. O povo ficou pasmo com o milagre que acabara de presenciar e a euforia tomou conta, todos formaram fila para pedir ao homem, nisso passou-se dias, todos pedindo e tratando muito bem do homem, que estranhamente, recusava-se a dizer seu nome ou de onde vinha, no entanto, os favorecidos pouco importam-se com a origem dele, o mesmo concedeu todos os desejos dos cidadãos e mesmo com muita resistência tomou seu caminho, a imagem entristeceu toda a população do vilarejo, entretanto logo o caos foi palpável quando a imagem do homem desapareceu no horizonte tudo que o mesmo havia feito foi revertido, as riquezas transformaram-se em terra, toda a comida virou excremento, o que era um problema, o vilarejo deixou de produzi-la por que não havia mais necessidade, todos as crianças adoeceram e todas as casas pegaram fogo. A população caiu em desgraça, não entendiam o por que, e nunca vão entender, com a falta de dinheiro, comida e saúde, todos morram. O homem continua a andar, porém atrás de si, carrega um tsunami de caos.


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