O homo e a criatura
O homo e a criatura
A floresta é densa, árvores altas, com troncos grossos e centenas de folhas, há pouca vegetação rasteira, no chão tem apenas folhas secas e pedras pequenas, no meio dessa densa mata é possível ver um homem, porém ele não é como nós, parece igual, mas também diferente, ele é mais baixo, tem uma estrutura robusta, seu rosto é semelhante ao meu, porém seu nariz é largo e sua sobrancelha é peluda e projetada para frente, seu olhar está fixo, ele olha para o horizonte, não, ele olha para algo, uma silhueta longa, de cor escura, com apenas olhos e dentes visíveis, aquele homem pré-histórico demonstra um misto de medo e curiosidade, parece que conhece a criatura, porém não sabe quem ela é. Sua curiosidade se esvai quando a silhueta mexe-se em sua direção, e o medo o consome, não um medo que o mesmo conhecia, um medo diferente, não era o medo de ser caçado, nem o medo quando o mesmo vê um dos seus morrendo, é um medo impossível de explicar, parece que todas as partes de seu corpo não estão mais sob o seu controle e seus olhos não conseguem tirar a criatura de foco. A criatura vai andando lentamente em direção aquele homem, a serenidade dela é aterrorizante, o barulho das folhas secas sendo amassadas e dos galhos altos quebrando conforme aquele corpo esquisito esbara-se neles, a cada passo longo mais perto ela fica, cada vez mais perto, o corpo do homem é tomado pelo medo, sua expressão transforma-se, seu olhos agora cobertos por lágrimas, olhando para direções incertas, seu rosto grita medo, porém sua boca não consegue nem mesmo fazer grunidos, aquela criatura chega em sua frente, e abaixa-se, olhando fixamente para o pequeno homem, seus olhos se encontram, e o corpo do homem sede, os olhos fundos da criatura captura sua atenção, lá ele vê a si mesmo, todos os seus medos e até seus segredos, seu corpo já estava imóvel no chão e lá ficou, a criatura simplesmente passou por ele e sumiu na densa floresta. O homem ficou por lá, não conseguia fechar seus olhos, de sua boca não saia mais som algum e as lágrimas não paravam de escorrer, passavam-se dias e noites e ali ele permanecia, até que sua alma descansou.
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