Amazonas e o menino
Amazonas e o menino
Em meio à terra, a mãe de toda a criação, Amazonas, vagava sem rumo. Até que um dia encontrou uma pequena criança humana em prantos, sentada debaixo de uma árvore. Com o coração de mãe apertado, decidiu entender por que aquela criança chorava. Fez das lágrimas do menino um pássaro e tomou para si aquele pequeno animal. Chegou aos pés da criança e disse:
— Por que choras, menino? — perguntou Amazonas.
O menino, enxugando as lágrimas, respondeu:
— Eu… eu perdi-me de casa.
A criança, soluçando, deixou a mãe de tudo aflita. Ela então decidiu ajudar e disse:
— Oh, pequeno, toda essa terra é sua casa. Tudo aqui foi feito para viver em harmonia. As árvores, as nuvens e os animais, tudo isso faz parte de você.
— Eu sei, senhora, mas minha família deve estar me procurando.
Enquanto falava isso, a barriga do garoto fez um barulho tremendo, e Amazonas respondeu:
— Estás com fome, criança? Segue-me. Eu te levarei até tua família e, pelo caminho, procuraremos algo para encher tua barriga.
O menino levantou-se, e o pássaro voou alto, avistando ao longe uma nuvem de coloração cinza. Amazonas levou o menino em direção à fumaça. Durante o caminho, ela o alimentou com as frutas mais saborosas que Curumim e ela haviam criado. O caminho era longo, então decidiram passar a noite numa clareira. O medo tomou conta do corpo da criança, no entanto logo se foi. O calor de Amazonas era tamanho que isso tranquilizou o pequeno, que dormiu como uma preguiça numa tarde de domingo. A noite passou tranquila; todos os animais que passaram por ali sentiram a presença de Amazonas e foram embora.
Quando o sol nasceu e as sombras das árvores já não protegiam mais o rosto da criança, ele acordou, cumprimentou o pássaro, e os dois seguiram seu caminho. Ao chegar perto da fumaça, os pais da criança correram até ele e o abraçaram forte, em prantos, enquanto procuravam algum machucado em seu pequeno corpo. O menino foi arrastado para perto da cabana por seus pais. Porém, confuso, olhou para trás à procura de seu amigo, mas viu apenas, em meio à mata, uma luz azul e a silhueta de uma mulher.
O menino contou a todos essa história, porém apenas os mais velhos acreditaram.
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