Como surgiu Pindorama
“No começo, só havia mar. Um oceano tão grande que não tinha começo nem fim, até que dele surgiu Curumim. Ele vagou pelo mar até a idade de moço, quando a solidão bateu firme em seu coração. Por isso, Curumim teve uma ideia: começou a nadar para o fundo daquele vasto oceano. Nadou tanto que seus braços começaram a doer, porém persistiu. Ao chegar ao fundo, viu que lá havia terra. Ficou tão encantado com a descoberta que pulou de alegria. Com seu pulo, grandes porções da terra que descansavam no fundo do mar subiram para a superfície, encontrando-se com o céu.
Curumim ficou alegre, porém ainda sentia um enorme vazio. Vagando pela terra, agora em contato com o céu também vazio, Curumim começou a chorar. Chorou tanto quanto um recém-nascido. Suas lágrimas caíam ao chão e formavam corpos d’água sobre a terra seca, criando assim o que ele apelidou de rio. E desse rio surgiu uma moça tão formosa, que Curumim se apaixonou logo quando a viu. Porém, a moça tinha suas exigências; não era nada fácil conquistá-la. No entanto, com muito esforço, Curumim e Amazonas se casaram.
Dessa junção, nasceram as árvores, as nuvens e os animais — os primeiros filhos. Mas eles se amavam tanto, que tiveram mais filhos. Estes, por serem frágeis, precisavam de mais atenção: os homens. Depois que todos os filhos nasceram, tudo começou a se aprumar. Os primogênitos, como as árvores, ajudavam seus pais a cuidar dos homens. As nuvens eram melancólicas e choravam o tempo todo; por isso, Amazonas as colocou no céu, para que os rios nunca secassem. Os animais eram travessos e logo se apossaram de toda a terra, porém eram bons meninos.
Agora, Curumim e Amazonas estão bem velhinhos. Com os filhos criados e cuidando-se uns dos outros, eles vivem suas vidas caminhando pela terra e ajudando seus pobres netos a viverem uma vida melhor.”
— Nossa, vó, que história legal! Realmente aconteceu? — disse uma criança, com os olhos maravilhados.
— Sim, meu netinho! Foi assim que Pindorama foi criado! — falou a idosa, com ternura na voz.
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