TimborNubis
TimborNubis
Um homem comum, sem grandes inspirações olhava todos os dias para códigos em uma tela grandiosa e extremamente cara de um telescópio, aqueles códigos eram uns e zeros infinitos, mostram o que há fora do mundo azul, numa dessas infinitas noites olhando para aquela binaridade entediante, Augusto Santos percebeu algo estranho, no meio de milhares de uns e zeros, esses que representavam corpos celestes e o vazio do espaço, havia um único cinco envolto de muitos e muitos zeros, isso desperta a atenção de Augusto que logo aponta o enorme telescópio para a direção desse corpo celeste diferente, a imagem dada pelo equipamento era nebulosa, deixando o astrofísico ainda mais encabulado, aquilo parecia uma estrela apagada, era grande, não produzia luz e era envolto de uma escuridão quase assustadora, aquilo o amedrontou, porém seguiu os protocolos que esperou a vida toda, pegou um livro empoeirado o limpou e começou a descrever a sua nova descoberta, isso é o que almeja todo cientista, Augusto já pensara em nome para o corpo estranho e nunca antes visto, TimorNubis, nome baseado no sentimento que o estranho corpo lhe causara, manteve-se envolto em sua nova descoberta, ficou tão empolgado que adormeceu sobre sua mesa. Ao abrir seus olhos viu-se em outro ambiente, sentia seu corpo ardente, sua respiração fraca e uma dor diferente, não algo muscular ou emocional, uma dor quase instintiva, um medo tão palpável que doía, quando olhou ao redor deparou-se com uma imagem de terror, um monstro, um demônio ou até um Deus, não havia como saber o que aquele ser tremendo é, um gigante que olhava a terra do espaço, envolto por nuvens vermelhas, era como se Atlas deixasse a terra e voltasse seu olhar para a mesma, o corpo de Augusto cede, suas mãos encontram um chão árido, morto, é inegável que ali já houve vida, mas a presença daquilo acabou com tudo que um dia respirou, cometendo seu maior erro, ele olha para o distante olho da criatura sem forma e o que ele vê, o destrói por completo acordando imediatamente, assustado Augusto olha ao redor, percebe que foi um pesadelo, vivido, porém apenas um pesadelo, atormentado segue o caminho para casa, entra em seu carro e desconfiado e ainda assustado, respira fundo, flashes do terrivel pesadelo perturbam sua mente, a cada piscada as imagens que viu ao olhar para aquilo voltavam, chegando em casa, sentou-se em seu sofá, com um medo constante de algo que sabe que não existe.
Dias se passam, o medo nunca diminuiu, as imagens constantes de horrores indescritíveis e nunca imaginados por uma mente humana seguem o atormentando, tudo de si é tomado, o medo de encarar TimborNubis é a razão de ser incapaz de trabalhar, ao olhar para aquilo todo o medo sentido em seu pesadelo retorna e de novo o atormenta, sem trabalho, não come, não paga aluguel, quando sua família percebe sua situação financeira e propõe o ajudar ficam assustado em ver seu estado, tão magro que sua pele tornou-se tão fina que Augusto parece um esqueleto ambulante, seus olhos carregam um profundo desespero, seus cabelos tomam conta de seu corpo desnutrido, isso deixa sua família assustada, quando crianças e animais olham em seus olhos correm com um medo involuntário, Augusto, nobre homem, doutor em astrofísica, bondoso, andava como um zombie murmurando palavras sem sentido.
O mundo entra em caos, nuvens vermelhas tomam o céu, animais morrem sem explicação e todos desesperam-se, menos Augusto, já quase morto, apenas fazendo o mínimo, apenas o que sua biologia insistia em fazer, sua mente havia sido completamente derretida, não havia explicação de porque, porém nesse único dia, seus olhos se voltaram novamente ao céu e o terror o tomou novamente, aquilo havia voltado, agora, não mais em sonho, todas as sensações horríveis que teve em seu pesadelo, retornaram e uma sombra cobriu o Sol, engolindo toda a vida na terra. Augusto Santos no último suspiro da humanidade, sorriu.
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