Mafarro e os vícios
Mafarro e os vícios
Sentei-me numa mesa de bar, o ambiente era escuro, sujo, latinhas de Brahma e Lokal empesteiam o lugar, pedi meu rabo de galo, meu latão, acendi meu cigarro, dei exatamente três tragos, quando um homem puxou a cadeira do outro lado da mesa de ferro, sentou-se, pegou meu maço na mesa, sacou um cigarro e fumou, quebrando a estranheza do silêncio disse "Jovens como você não deveria estar fumando.", eu logo respondi "E homens como o senhor já deveriam ter parado." O clima manteve-se o mesmo, seu rosto era esquecível, belo, porém não havia uma característica sequer que eu me lembre após a sua saída. Ele pediu sua bebida, uísque com gelo, então eu perguntei "Por que pediu um uísque, num lugar tão fuleiro?" Ele logo me respondeu: "Da bebida dos homens, uísque é aquela que tem o pior gosto, logo, é a minha predileta." Confuso questionei " Dos homens?" Ele retrucou: "Sim, sua espécie fez muitas coisas que admiro, porém o álcool eu acho de extrema ímpar, todos consomem, todos gostam e ninguém repudia, porém é um mal tão grande, que nem mesmo eu pudesse prever." "Então, quem seria o senhor?" Ele pegou mais um dos meus cigarros, tragou algumas vezes, bebeu de seu uísque e respondeu "Eu tenho inúmeros nomes, porém pode me chamar de Mafarro, eu acho que é o meu favorito." Fiquei um tempo refletindo, depois perguntei " Mafarro? O diabo?" Ele disse " Não gosto desse, existem outros melhores, no entanto sim, O Diabo." Me assustei " O que faz o príncipe das trevas em um lugar tão comum, ainda mais conversando com um ninguém como eu." Respondeu "Eu gosto de ver os homens se matando aos poucos, há muita burocracia lá embaixo, considero isso um pequeno divertimento."
Depois de dizer isso, desapareceu junto com a fumaça e a escuridão, deixou minha conta paga e um novo maço em minhas mãos. Até hoje não entendo a conversa que tivemos, mas depois daquele dia, joguei meu maço no lixo e nunca mais tomei uma gota de álcool.
Comentários
Postar um comentário