O papagaio contador

 

O papagaio contador


Por muito tempo, eu vi os homens andando por aqui, vi eles caçar, conversar e observar a grande floresta, ele tem a pele morena, cabelos lisos, usam penas na cabeça e pintam seus corpos. Até que uma vez, estava eu comendo minhas frutinhas, no topo de uma grande árvore, enquanto comia via o mar, como fazia sempre naquele Sol, mas nesse dia foi diferente, vi no horizonte, grandes embarcações, carregavam uma cruz vermelha, vestiam roupas grandes e cantavam diferente dos outros homens que já viviam aqui, eram brancos como a areia da praia, tinha barbas e cabelos diferentes dos amigos que moram nessas redondezas, eles vieram, fizeram da praia sua estadia, trocaram vários objetos com os daqui, deram a eles coisas brilhantes que eu mesmo nunca vi, o começo foi tranquilo, devagar, cortaram algumas árvores que colegas meus moravam, mas até então havia muitas e sabemos dividir, passou-se um tempo, os brancos vindos do horizonte, tem em seus olhos cobiça, começaram matando os moradores da floresta depois mataram também a floresta, cortaram inúmeras árvores, mataram muitos animais e fizeram suas casas, se declararam donos dessa terra, algo absurdo, ninguém pode ser dono de tamanha riqueza, de tamanha vastidão. Agora eu, escondido dentro do pouco de mata que ainda deixaram, choro triste, pelas minhas frutinhas, minha família, meus amigos e por aqueles que eles trouxeram e tratam pior do que um predador trata sua presa, nessa noite escura, quebro meus ovos, não quero que meus filhos nasçam aqui.

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